O MUNDO É MINHA CASA!


Por Claudia Amalfi Marques


Vivemos tempos de alto e crescente movimento migratório.  Dados divulgados no International Migration Report 2017 – Highlights  publicado pelas Nações Unidas apontam que em 2017 se contabilizou 258 milhões de pessoas vivendo fora do seu país pelos mais variados motivos – de mudança temporária por razões de estudo ou trabalho até refugiados de guerra.  Dois terços do total de migrantes internacionais residem em apenas vinte países ao redor do mundo, sendo que o maior número deles, cerca de 50 milhões vivem nos Estados Unidos. Nas posições seguintes estão Arabia Saudita, Alemanha e Russia.

Migrantes internacionais estão voando e viajando agora mesmo! Estão chegando e partindo. Novos desafios, novos amores e dissabores. Novas famílias e filhos internacionais.

Mas este artigo não discutirá políticas ou leis migratórias. Discutirá herança, língua e cultura.

Quando alguém, por qualquer que seja o motivo, propõe-se a viver em outro país, precisa abrir a mente e o coração. Ninguém vive sozinho, isolado, ilha… Tampouco é saudável viver constrito a guetos. Talvez a maior vantagem de se mudar do seu próprio país é a possibilidade de conhecer coisas novas, experimentar, aventurar-se… É absolutamente interessante, para dizer o mínimo,  o movimento de descobrir o entorno e se descobrir.

Nesse novo dia a dia, estão sendo acrescentados na bagagem de vida: novos caminhos, novas rotas, novas pessoas, novos sabores, novos formatos, novas línguas, novas regras sociais, ou senão o novo, o diferente.

O que é diferente não é essencialmente bom ou ruim: é diferente! E ao mesmo tempo que vai se adicionando itens à própria bagagem, não se deixa magicamente de carregar a própria essência, costumes, crenças, língua e cultura.

Os migrantes internacionais são levados a aprender e a se comunicar por meio de novas línguas ao redor do mundo. A língua exerce um papel fundamental para a adaptação e inserção na sociedade. Ainda que possível viver em um local sem dominar a língua, é fato que se torna altamente limitante. Filhos nascem e se educam em novos territórios. Usarão, preferencialmente a língua local para se comunicar.

Mas e a língua materna? A língua mãe falada no país de origem. Perde-se? Abandona-se? Camufla-se? Haverá uma língua que valha mais do que outra?

A resposta a essas questões é uma só: língua também é herança. É direito dos filhos de migrantes terem acesso a língua de seus pais ou antepassados. Que façam uso e a fortaleçam.

Que fique absolutamente claro que se trata de multilinguismo. Língua local mais língua de herança.

Novas gerações globalizadas, multilíngues e multiculturais… Tradições preservadas, novas soluções encontradas, bagagem maior e diversificada!

Estudos apontam que pessoas bilíngues são mais propensas a ter soluções criativas e inovadoras, mais flexibilidade e maior tolerancia. Não parece um cenário animador para um futuro que já bate à porta?

Na vida cotidiana, nem sempre as coisas se desenrolam dessa forma. Adultos e idosos muitas vezes se negam a aprender o idioma local alegando falta de capacidade (um grande erro, pois mesmo que seja mais fácil aprender uma nova língua quando criança, ninguém pode afirmar que na vida adulta é impossível aprender idiomas), crianças não são expostas à língua de herança por medo dos pais de que elas não se desenvolvam usando o idioma local, e portanto tenham dificuldades de inserção social, adolescentes e jovens adultos se negam a usar a língua de herança por falta de conhecimento e/ou prática.

A bagagem que está sendo acumulada é o nosso tesouro. Nosso tesouro é nossa herança, sintetiza aquilo que queremos transmitir para nossos descendentes.

Apresente aos seus filhos suas melhores memórias com sua língua materna. Leia, cante, brinque, interaja também por meio da língua materna. Apoie iniciativas de grupos da comunidade em preservar a cultura. Presenteie seus descendentes com essa rica bagagem.

O mundo é a nossa casa! Viva a diversidade cultural e o multilinguismo.


Se quiser mais informações sobre esta matéria ou, favor acessar www.revistabrasilianas.com

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